sábado, 16 de dezembro de 2017

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"Sabe por que entregamos mais flores aos mortos?
Porque o remorso é maior que o amor" (De Fã pra Fã - Coruja BC1)

Essa frase está nessa música, mas ela é quase um dito popular. Fiquei pensando sobre isso e concluí que não concordo com essa afirmação.

Vamos supor que você tenha um grande amigo, você não vai simplesmente ficar enviando flores pra ele. Sua demonstração de amizade é feita de outras formas (sair pra beber, jogar videogame juntos, sentar pra falar sobre a vida, etc).

Se for namorada/esposa é o mesmo, você demonstra seu amor por ela de diversas outras formas, talvez até em coisas bem pequenas como comprar um bombom antes de chegar em casa.

E é semelhante com qualquer relação que você tenha.

Agora quando acontece de perder alguém querido, o ato de se levar flores não implica em remorso necessariamente, é mais como um conforto para si mesmo, demonstrando que você ainda guarda aquela pessoa dentro de você.

Claro, não estou falando pro caso de pessoas que você deliberadamente decepciona ou maltrata. Mas se você foi tão filho da puta com alguém em vida, provavelmente não vai se importar de levar flores pra ela depois da morte.

Eu não participo e não compactuo com o ato de levar flores no cemitério no dia de finados, mas dizer que aquelas pessoas estão lá pelo remorso é ser um tanto leviano.

Os seres humanos são indivíduos diferentes, cada um tem uma forma de expressar seus sentimentos, se o João se sente bem ao levar flores pra falecida esposa todo dia 15 de cada mês, qual o problema? Pra ele aquilo é importante.

Não existe uma "verdade absoluta" quando falamos de sentimentos humanos. Se você não concorda com a expressão dos sentimentos de alguém, ao menos tenha a decência de calar sua boquinha e guardar sua opinião pra única pessoa que é obrigada a saber dela, VOCÊ. (obviamente, levando em conta que não estou falando de nada que seja contra a lei)

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

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Cada pessoa tem seus conceitos sobre vários assuntos. Conceitos mesmo, não opiniões. O que eu entendo como ser livre pode ser diferente do que você entende. Perfeição, beleza, justiça, moral e tantas outras coisas são muito subjetivas em relação ao que elas realmente são.

Você dizer que, por exemplo, característica X em uma pessoa é algo belo (fisicamente) não quer dizer que seja essencialmente belo pelo simples fato de que a beleza depende do ponto de vista de quem olha.

Quando você afirma que algo é perfeito, fica implícito que aquilo não tem falhas. Se tem falhas, não deveria se dizer que é perfeito. Acontece que até a perfeição pode ser subjetivada. Exemplo disso é o tal do "design inteligente", que afirma que a "perfeição da vida não pode ser atribuída ao acaso da evolução".

Só que... Perfeição? A vida em si é cheia de falhas, cheia de erros. Doenças, câncer, má formações, fragilidades genéticas... Realmente não consigo relacionar a vida ou qualquer coisa com a palavra perfeição.

Talvez até sejam perfeitas vistas de longe, mas quando se chega perto o suficiente a realidade se revela.

Sei lá, isso pra mim parece mais um modo de tentar racionalizar algo que essas pessoas (que defendem essa teoria) não conseguem entender, ou não aceitam por ir contra a realidade e irrefutabilidade atual da evolução humana.

Ainda preciso ler mais sobre isso.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

trust like that is not freely given

"Porque a confiança é uma mulher ingrata
Que te beija e te abraça, te rouba e te mata"

A confiança é um castelo de 1000 cartas, demora muito tempo pra ser construído e apenas um segundo pra ser destruído.

"O caminho da cura pode ser a doença"

 Eu não acho tão ruim quando percebo a falta de caráter de alguém, principalmente quando você vê que a pessoa estava tentando esconder esse lado obscuro e o deixou a mostra sem querer, isso me dá a oportunidade de saber quem é quem.

Sou naturalmente desconfiado das intenções dos outros, mas vez ou outra acabo dando um voto de confiança. Confesso que, dessa vez, eu fui meio burro. Afinal, ou você é honesto ou não é, não tem um meio termo.

O que eu sempre cobro das pessoas é coerência entre o que fala e o que faz, não adianta você reclamar da corrupção no Congresso e não devolver o troco a mais que recebeu no mercado, citando um exemplo.

Erros todos cometem, somos humanos, porra. Mas uma coisa é errar e ver que fez cagada, outra é errar e se achar na razão. No primeiro caso a sua confiança na pessoa pode até ficar abalada, porém se você ver que foi realmente um erro e não uma má fé, dá pra relevar e esperar o vento passar.

O mais curioso é que esse tipo de pessoa cava a própria cova, dia após dia você os vê afundando nas próprias mentiras.

Eventualmente, não vão mais conseguir respirar.

"Porra, Bruno, tá exagerando, nem foi nada demais se for parar pra pensar."

Será mesmo?

Será?

Esse texto ficou meio confuso. Acontece que estou com várias coisas na cabeça agora sobre o assunto e não consegui sintetizar direito.

Talvez eu edite. Talvez escreva outro texto.

Ou talvez não.

"Mas verme é verme, é o que é
Rastejando no chão, sempre embaixo do pé"

domingo, 3 de dezembro de 2017

d&d

Como minha vida é cheia de coincidências estranhas, esses dias eu estava pensando na morte e na brevidade da vida humana como um todo, daí hoje me deparo com um vídeo do Pirula tratando deste mesmo assunto.

Ele é ateu e pra ele não há nada após a morte, então digamos que a perda de uma pessoa querida seja mais pesada pra ele do que pra algum religioso de modo geral.

Só que ele tocou em dois pontos importantes:

1- A naturalidade da morte

Praticamente tudo tem um ciclo de vida, desde seres humanos até estrelas, o que torna a morte a coisa mais natural que existe, pois está presente e não há como fugir. Sendo algo tão natural e previsível, a sociedade deveria ver a morte como algo menos carregado, menos pesado. Discutir sobre isso talvez fizesse bem pra quando tivermos que enfrentá-la.

2- A brevidade da vida e a imprevisibilidade do amanhã

A morte, além de natural, raramente é previsível. Sendo assim, numa visão cética, nós deveríamos aproveitar a companhia das pessoas que gostamos enquanto elas ainda estão aqui, já que não sabemos o que vai acontecer daqui 10 segundos, quem dirá amanhã ou ano que vem. Junte isso a possibilidade de não haver um pós-morte onde você vai rever as pessoas, só torna mais claro a importância de cada momento aqui.

Alguns anos atrás eu assisti um filme chamado Antes de Partir (The Bucket List) e aquele filme me fez pensar muito sobre várias coisas que eu queria fazer, se não me falha a memória eu até cheguei a fazer uma lista que se perdeu no meio de algum arquivo por aí.

É muito fácil nosso cérebro nos convencer a ficar em uma zona de conforto e não correr atrás dessas coisas, a função do cérebro é justamente fazer você gastar o mínimo de energia possível (aí entra questões sobre o homem primitivo que não cabem na discussão), então ir atrás dessas coisas vai contra a própria natureza humana, por um instinto de autopreservação.

Mas nós podemos - e deveríamos - passar por cima disso, mesmo sendo difícil.

Quando eu estava treinando forte em casa (calistênia) tinha um colega que mais de uma vez me questionou de como eu conseguia ter vontade de fazer aquilo 6x na semana. A minha resposta era "Vontade eu não tenho nenhum dia, mas eu tento condicionar meu corpo a simplesmente começar a fazer e acabou, enquanto meu cérebro diz pra eu ir dormir um pouco, eu já estou lá fazendo flexões".

Isso é o que se chama de atitude proativa.

Sou um exemplo a ser seguido por isso? Não, definitivamente. Tem várias coisas que eu preciso fazer e não faço por preguiça, mas isso é uma das coisas que eu tenho trabalhado pra superar desde que eu resolvi parar de me ver como vítima do mundo.

Como eu não tenho mais minha lista antiga, vou criar uma nova. Algumas coisas eu já consegui da lista anterior, mas não lembro quase nada, porque isso faz quase 10 anos.

Obviamente não vou postar minha lista aqui, né?

Mas e você, disse tudo que queria dizer pra quem você ama? Abraçou quem você queria? Fez algo pelo seu sonho hoje?

Eu não fiz nada disso, mas é mais uma coisa que estou tentando mudar.

"Forever and a day"

sábado, 2 de dezembro de 2017

they say

Tem um ditado, que não sei realmente se é um ditado, que diz: Ou você tem razão ou você é feliz.

Eu fico pensando nesses ditados e imagino como eles foram cunhados. Claro que não foi de uma hora pra outra, provavelmente são coisas que várias pessoas notam e que acaba virando parte do folclore, por assim dizer.

Mas, será que isso é verdade?

Será que temos que abrir mão do que acreditamos?

Eu ainda não tenho a resposta pra isso, mas é algo que tenho refletido sobre há alguns meses. Isso se aplica na vida como um todo, no trabalho, nas relações familiares, nas amizades, nos casamentos.

Aliás, curiosamente eu vejo muitas pessoas casadas repetindo isso com certa frequência.

Talvez seja apenas coincidência. Ou não.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

lâmina corredor

https://www.youtube.com/watch?v=NoAzpa1x7jU
 
"I've seen things you people wouldn't believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched c-beams glitter in the dark near the Tannhäuser Gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die."

"Eu vi coisas que vocês não acreditariam. Naves de ataque em chamas ao largo de Órion. Eu vi raios-c brilharem na escuridão próximos ao Portão de Tannhäuser. Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer."

Estava com essa cena do filme na cabeça esses dias. Não costumo ficar procurando críticas ou análises dos filmes que gosto porque sempre tem muita bosta que o povo escreve.

Quando vi o filme há uns anos atrás fiquei me perguntando o porquê do Roy Batty ter salvo o Deckard depois de tudo que aconteceu.

Revendo a cena final pela centésima vez, acho que captei a possível mensagem: Roy estava em busca de mais vida e naquela hora em que o Deckard estava prestes a cair, Roy viu que eles estavam lutando pela mesma coisa naquele momento. Da mesma forma, pelo olhar do Deckard, ele também entendeu a busca de Roy pela vida. Naquele exato instante eles eram iguais e ambos sabiam disso.

É um tipo de sintonia que por vezes acontece, quando você se depara com alguém que, mesmo que inicialmente não pareça, está lutando a mesma batalha que você.

Agora sempre vou lembrar dessa cena quando isso acontecer.

É isso.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

normal pra quem?

Nunca vou permitir que alguém faça eu me sentir mal por não ter feito alguma coisa que eu julgava ser ruim.

Quando, por exemplo, eu falo que nunca fui em um puteiro, algumas pessoas tentam menosprezar isso, como se eu fosse obrigado a tal, como se eu tivesse que achar certo.

Pra eles, se você não fez uma determinada lista de coisas durante sua adolescência quer dizer que você não aproveitou ela direito.

Eu discordo totalmente.

Minha adolescência teve seus problemas, mas no geral eu tenho boas lembranças, acho que todo mundo é assim. Além disso, frequentar um puteiro não a tornaria mais completa.

As coisas que eu sinto por não ter feito nessa época da vida são, por exemplo, viajar pra certos lugares, acampar com os amigos, churrascão monstro com DJ e guerra de cotonetes gigantes, alguns esportes radicais e ir no show de algumas bandas.

Outra coisa é que quase ninguém acredita quando eu falo que nunca usei drogas e, por incrível que pareça, eles também listam isso como "coisas que todo adolescente de verdade tem que fazer".

Desculpa, sociedade, mas eu não me encaixo nisso e não faço a mínima questão.

Se você cheirava cocaína no balcão da zona com 16 anos de idade e acha isso o máximo, ótimo, cada um com sua vida, não te julgo por isso. Mas não me venha impor seu estilo de vida.

Perdoem o desabafo, mas tem horas que isso enche o saco.

Mentira, perdoem porra nenhuma, eu escrevo o que eu quiser nessa bosta.